Multiplique por 3. Biquíni comprado por R$ 33 no atacado vende por R$ 99.
O conselho que você mais vai encontrar na internet é multiplicar por 2, e é ele que deixa revendedora vendendo o mês inteiro sem dinheiro na conta no fim. O preço da peça é só uma parte do que você gasta para vender aquela peça, e é essa outra parte que some da conta.
Abaixo está a conta inteira, em reais, com uma peça só.
Por que multiplicar por 2 quase sempre termina no zero a zero
Porque o 2 cobre a peça e quase nada além dela.
Uma lojista que compra na Delonay estava fazendo exatamente isso. Comprava, dobrava o preço, vendia. E chegava no fim do mês sem sobra nenhuma, às vezes no vermelho. Ela não estava vendendo pouco. Ela estava vendendo com um preço que não pagava tudo que ela gastava para vender.
Esse é o ponto que quase ninguém explica para quem está começando: você pode vender muito e não ganhar nada.
O Sebrae coloca isso de forma direta ao falar de preço de venda, lembrando que com margem de lucro muito baixa o número de vendas precisa ser altíssimo só para o negócio empatar, e que sem atingir esse número o lojista não vê a cor do dinheiro.
Vender bastante não conserta preço errado. Só faz você trabalhar mais pelo mesmo nada.
Que custos eu tenho, se eu vendo só pelo Instagram e pelo WhatsApp?
Mais do que você imagina, mesmo sem loja, sem aluguel e sem funcionário.
Quem vende do próprio quarto costuma achar que o único gasto é a peça. Faça o teste com o último pedido que você recebeu e some:
- O frete da compra. Você pagou para a caixa chegar. Divida esse valor pelo número de peças do pedido.
- A embalagem. Sacolinha, papel de seda, laço, cartãozinho com o nome da sua marca. Parece centavos e não é.
- A entrega. Moto, aplicativo, ou o seu deslocamento para levar até a cliente. Se você absorve o frete, é gasto seu.
- A taxa do pagamento. Cartão e link de pagamento descontam antes de o dinheiro cair na sua conta. As Estatísticas de Pagamentos do Banco Central mostraram taxa média de 2,16% no crédito e 1,08% no débito no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento divulgado pelo E-Commerce Brasil. Essa é a média do país inteiro, incluindo grandes redes. Quem vende pouco e recebe rápido costuma pagar bem mais que isso.
- O desconto que você dá. Aquele “pra você eu faço por menos” entra na conta, mesmo quando você não anota.
- A troca e a devolução. Venda feita pelo WhatsApp, pelo Instagram ou por qualquer canal fora de uma loja física dá à cliente sete dias para desistir e receber o dinheiro de volta. Está no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. A maior parte das revendedoras que vende pelo celular nunca ouviu falar disso, e descobre no dia em que acontece.
Nenhum desses gastos aparece na nota do fornecedor. Todos saem do seu bolso.
Para onde vai o dinheiro de um biquíni de R$ 99?
Vamos com a peça de R$ 33 e números redondos. Troque pelos seus depois.
Gastos que não mudam, independentemente do preço que você colocar:
| Gasto | Valor por peça |
|---|---|
| Frete da compra, dividido pelas peças do pedido | R$ 3 |
| Embalagem | R$ 2 |
| Entrega | R$ 5 |
| Total | R$ 10 |
Gastos que sobem junto com o preço: a taxa do pagamento (uns 4%) e o desconto que você dá de vez em quando (uns 5% na média). Juntos, cerca de 9% do valor da venda.
Agora a mesma peça, nos dois preços:
| Vendendo por R$ 66 (2x) | Vendendo por R$ 99 (3x) | |
|---|---|---|
| Você recebe | R$ 66 | R$ 99 |
| Peça | R$ 33 | R$ 33 |
| Frete, embalagem e entrega | R$ 10 | R$ 10 |
| Taxa e desconto (9%) | R$ 6 | R$ 9 |
| Sobra pra você | R$ 17 | R$ 47 |
Repare no que aconteceu. O preço subiu R$ 33 e a sua sobra subiu R$ 30. Quase tudo que você acrescentou virou lucro, porque o custo da peça e a embalagem continuaram os mesmos.
E o contrário também vale, que é a parte que dói. Ao dobrar em vez de triplicar, você não abriu mão de metade do lucro. Abriu mão de quase dois terços dele.
E a peça que não vender?
Ela sai do lucro das outras, e é mais um motivo para o 3.
Nenhuma revendedora vende 100% do que compra pelo preço cheio. Sempre tem o tamanho que ninguém pediu, a estampa que não emplacou, a peça que ficou pra trás quando a temporada virou.
Imagine dez peças compradas a R$ 33, com oito saindo no preço normal e duas saindo só pelo que você pagou. Vendendo a R$ 66, essas dez peças rendem cerca de R$ 116 no total. Vendendo a R$ 99, rendem cerca de R$ 356.
As peças que giram pagam as que ficam. No preço dobrado, elas mal conseguem fazer isso.
Comprei uma peça mais cara. Multiplico pelo mesmo número?
Sim, e depois confira com o mercado antes de fechar a etiqueta.
O multiplicador serve para peça de R$ 20 e para peça de R$ 60. O que muda é a conferência final: peça de valor mais alto às vezes não aguenta o 3 na sua cidade, e aí você ajusta um pouco, sabendo exatamente quanto está abrindo mão.
O cuidado aqui é o que o Sebrae repete em todo material de precificação: comparar com a concorrência ajuda, copiar a concorrência não. A loja do lado pode ter comprado mais barato, pode ter comprado pior, pode estar queimando estoque, ou pode estar perdendo dinheiro sem saber. Você não tem como enxergar a conta dela.
E compare peça equivalente, não peça parecida na foto. Biquíni com forro duplo, elástico embutido e tecido com proteção não é o mesmo produto que o biquíni de R$ 39 do concorrente, mesmo que os dois tenham a mesma cor na tela do celular.
Minha cliente não vai achar caro?
Algumas vão. E não é com elas que você constrói uma clientela.
A cliente que só quer o mais barato compra do mais barato até aparecer alguém ainda mais barato. Ela não fica. Quem fica é a cliente que comprou uma peça boa, usou a temporada inteira, lavou várias vezes e voltou querendo outra.
Isso não é discurso. Numa das avaliações da Delonay no Google, uma cliente escreveu que usa a marca há anos, que as peças duram muito, e que se apaixonou tanto que passou a vender na própria loja. Peça que dura vira recompra, e recompra é o que sustenta uma revenda.
O barato ruim cobra caro depois. A cliente que comprou um biquíni de R$ 45 que desbotou na segunda lavagem não reclama só da peça. Ela some, e demora a comprar moda praia de novo, de qualquer pessoa.
Seu preço não é o número. É a promessa de que a peça vai aguentar.
Você não precifica para hoje, precifica para onde você quer chegar
Este é o erro mais caro do preço baixo, e o menos comentado.
Hoje você vende pelo Instagram, guarda o estoque em casa e não paga aluguel. Então parece fazer sentido colocar 2x, porque você “não tem custo”.
Aí o negócio dá certo. Você aluga um ponto, ou passa a precisar de alguém para ajudar, ou começa a anunciar. Os custos aparecem todos de uma vez. E agora você precisa aumentar o preço de tudo que vende, para uma clientela que decorou os seus preços antigos.
Ninguém consegue fazer isso sem perder cliente. As pessoas anotam preço. Elas percebem.
A Delonay atende mais de 200 lojistas, e essa é uma das transições mais difíceis que a gente vê acontecer: a revendedora que cresceu vendendo barato demais e depois ficou presa no próprio preço. Preço de entrada baixo não é gentileza com a cliente. É uma dívida que você faz com a sua versão de daqui a dois anos.
Comece no preço em que você quer estar.
Até quanto eu posso baixar numa promoção?
Com os números deste exemplo, abaixo de R$ 47 você está pagando para vender.
Esse é o ponto em que a venda cobre a peça, o frete, a embalagem, a entrega e a taxa, e não deixa nada para você. Qualquer valor abaixo disso, o dinheiro sai de você.
Agora veja a diferença de fôlego entre os dois preços, dando os mesmos 20% de desconto:
| Preço com 20% off | Sobra pra você | |
|---|---|---|
| Peça precificada a R$ 66 | R$ 53 | R$ 5 |
| Peça precificada a R$ 99 | R$ 79 | R$ 29 |
É por isso que a revendedora que precifica no 2x quase não consegue fazer promoção de verdade. Ela não tem de onde tirar. Cada campanha, cada “leva duas por”, cada cupom de primeira compra sai direto do lucro dela, e às vezes do bolso.
Quem precifica no 3 pode fazer liquidação de fim de temporada, pode dar cupom de primeira compra, pode fazer combo. Continua ganhando dinheiro nas três coisas.
Onde eu vejo o preço de fábrica para fazer essa conta
No catálogo de atacado, depois do cadastro.
Toda essa conta depende de um número: quanto você paga na peça. Se esse número já vem alto, nem o 3 salva, porque o preço final sai fora do que a sua cliente aceita pagar.
A Delonay é fábrica, em Vila Velha (ES), e vende direto para lojista de todos os estados. Os valores de atacado ficam liberados assim que você faz o cadastro, e não é preciso ter loja física para se cadastrar.
Perguntas frequentes
Preciso de CNPJ para comprar moda praia no atacado?
Não na Delonay. Você consegue se cadastrar e comprar sem CNPJ e sem loja física. Ter CNPJ ajuda em outras coisas do seu negócio, mas não é a porta de entrada.
Preciso emitir nota vendendo pelo WhatsApp?
A resposta depende do seu porte e da sua situação, e quem responde isso com segurança é um contador. O que importa para esta conta: se você já emite nota, o imposto entra na lista de gastos que sobem junto com o preço, junto da taxa do pagamento.
Esse multiplicador vale para moda fitness também?
Vale. Legging, top e conjunto seguem a mesma lógica de moda praia, com uma vantagem: a peça fitness vende o ano inteiro, então você tem menos risco de virar temporada com estoque parado.
A concorrente da minha cidade vende mais barato. O que eu faço?
Antes de baixar, descubra o que ela está vendendo. Se for peça de qualidade menor, você não está no mesmo mercado que ela, e brigar por preço é entrar numa disputa que quem tem peça pior sempre vence. Se for peça equivalente pelo mesmo custo, aí sim vale rever compra e preço.
Posso ter preço diferente no Instagram e na loja física?
Pode, mas escolha isso de propósito e não por acaso. Preço diferente no mesmo produto, sem motivo claro, gera cliente perguntando por que pagou mais.
Já vendi barato demais o mês inteiro. Como eu corrijo?
Não aumente tudo de uma vez. Aplique o preço novo nas peças que chegarem agora, na coleção nova, e deixe o estoque antigo sair no preço que já estava anunciado. Em poucas semanas a sua tabela inteira já é a nova.
De quanto em quanto tempo eu refaço essa conta?
Sempre que mudar alguma coisa dentro dela: preço do fornecedor, valor do frete, taxa da maquininha, ou quando você passar a ter um gasto novo. Não precisa refazer toda semana, precisa refazer quando o chão muda.
